Com demanda aquecida, comércio enfrenta desafios

Nas lojas de material de construção, as vendas subiram ainda mais, em torno de 15%.

A podóloga e manicure Terezinha Vieira da Silva Pinto já sabe que gastará bem mais do que imaginava para murar um lote que possui. Ela conta que encontrou o milheiro de tijolos com preços de R$ 850 a R$ 950. Já o saco de cimento chegou a R$ 25. "E ainda está difícil achar", destaca. Segundo Terezinha, as lojas ainda estão demorando muito para entregar os produtos.

A presidente Sindicato do Comércio Varejista e Comércio Atacadista de Material de Construção no Estado (Sindimaco-GO), Irma Alves Fernandes, confirma que os preços de vários produtos estão em alta, como ferro, tijolo e fios, que chegaram a subir 50% por causa da pandemia. Ela ressalta que essa situação é resultado da oferta e demanda, já que as indústrias paralisaram a produção por muito tempo e a procura cresceu. "As pessoas isoladas em casa começaram a ver tudo que precisava ser feito. A maioria optou por aproveitar este tempo livre para fazer reformas e organizar as coisas. Elas perceberam o quanto seu lar é seu aconchego", explica Irma, ao justificar o aumento da demanda por materiais.

Os recursos do auxílio emergencial também ajudaram a viabilizar as pequenas reformas. "Também sobrou mais dinheiro do salário, já que as pessoas não podiam mais fazer festas, viajar ou ir a restaurantes", lembra a presidente do Sindimaco. Ao mesmo tempo, ela reconhece que a indústria teve problemas com a paralisação da produção em quase todo País. "Voltar a aquecer um forno usado para queima de tijolo e pisos é muito complicado e demorado", ressalta. Para ela, o momento é de desafio e paciência, pois está difícil até conseguir transporte para os produtos. "Muitos lojistas estão sofrendo com essa situação, pois querem atender o cliente, mas não estão conseguindo comprar e nem repassar todos os reajustes", destaca.

Lucilene Aparecida Magalhães, representante de fábricas de tubos e conexões, conta que os aumentos já somam 32%. Além disso, uma indústria já avisou que pode até parar de produzir em setembro por falta de matéria-prima. "Tenho 20 anos de mercado e nunca vi um cenário tão assustador, com risco de faltar produto", diz.

Fonte: Jornal O Popular